porque não saíamos da bulgária?

a bulgária, como acho que já dissemos algures, era uma país fora do plano mas, depois de termos olhado bem para o mapa, decidimos percorre-lo, pois de sofia, a sua capital, até istambul, não havia quase qualquer elevação, o que nos agradava! saímos da macedónia, país que mais gostamos até agora a nível da hospitalidade das suas pessoas (sem palavras!) para entrar na bulgária e logo com uma paisagem de cortar a respiração! montanhas enormes, constrastavam com pequenas colinas com casas plantadas aqui e ali e lagos azuis que as serpenteavam! de cá de cima até blagoevgrad - a primeira cidade onde ficaríamos, foram uns quantos quilómetros sempre a descer para só parar frente a uma casa para beber água e vestir as camisolas. foi então que tivemos o primeiro contacto com pessoas búlgaras! uma mulher nos seus 40's, sai de casa e numas palavras só entendíveis através dos seus gestos, diz-nos para esperar. 5 minutos depois, aparecia com um saco cheio de tomates, maçãs e pêssegos e mais tarde, com um saco com pão e chouriço que aceitámos, apesar de vegetarianos e mais tarde oferecemos a um mendigo no centro da cidade! "bem-vindos à bulgária" - percebemos nas suas palavras na despedida!

até à galeria lubimo - nome da pessoa que nos receberia nessa noite - apanhamos um vento fresquinho na cara que nos mostrava que o outono estava à porta. depois de termos passado algum tempo na galeria, acompanhamos o carro até casa e jantamos com a família, conversando pelo resto da noite até não aguentarmos mais o cansaço. nada de especial, a não ser a de uma grande explicação da história da bulgária e uma ou outra tese que defendiam, embora continuemos a achar que quando se quer ser muito diferente e com ideias com
pletamente utópicas (há as utópicas possíveis e as não possíveis e chateia-nos quando as pessoas estão cheias das impossíveis e não fazem nada pois só querem realiza-las, porém não fazendo nada para isso...por serem impossíveis!) o paleio não vai a lado algum, já que a conversa entra numa...desconversa! enfim...

...de lá, queríamos pedalar até
pernik, uma cidade a 25 quilómetros da capital e que de especial para nós, só tinha o facto de entrar em intercâmbio cultural - se é que o carnaval pode ser considerado cultura (outra longa conversa) com a cidade de ovar, de onde saímos - e por isso tínhamos um contacto que, somente à chegada, soubemos que afinal não tínhamos e por essa mesma razão - e por estarmos ainda com o relógio atrasado uma hora - tivemos de pedalar até sofia. o grande problema, foi que a noite caiu e nós estávamos a 20km da cidade! outro problema, foi a falta de luz nas bicicletas! outro ainda, é o facto dos condutores búlgaros não serem tão civilizados (leiam bem...civilizados) quanto os portugueses! outro ainda, é a famosa e estúpida moda que também já houve em portugal, de tirar as grades e as tampas dos buracos de esgoto ao lado dos passeios (para derreter e vender, será?) e por isso, somando tudo atrás e acrescentando mais este problema, temos aqui a verdadeira descida até à capital em tom de morte certa...não sei como não caímos, batemos em nada ou chegamos salvos, mas não muito sãos. chegados, procuramos um hostel (obrigado passarinho!) chamado mostel e fomos ter ao melhor hostel da cidade com toda a certeza! ambiente fantástico, localização fantástica, pessoas fantásticas, pequeno-almoço e jantar, internet e boa disposição...tudo por 18€ os dois...lindo!

no dia seguinte, pegamos nas bicicletas e fizemos uns 5km até casa do rui, um amig
o do andré (aka passarinho), nosso amigo em portugal! confusão! a partir do momento que entramos em sua casa que percebemos que ali estaríamos realmente...em casa! e por lá ficámos 4 noites, entre visitar a cidade e descansar, sair com o rui e os amigos ou somente partilhar um jantar ou o lanche, ele fez-nos sentir bem, à vontade e com alguma dificuldade em sair: "não querem ficar mais um dia? têm a certeza?" - "sim, temos mesmo que ir ou nunca mais saimos daqui. obrigado!". quanto a sofia, ela própria, não temos muito para contar. vadeamos pelas ruas, descobrindo esta e aquela ruela, sentando-nos neste e naquele café, comendo este ou aquele gelado ou fatia de pizza e tirando uma ou outra foto, quando tínhamos paciência! no entanto, apercebemo-nos que a cidade tem estilo, tem dinâmica e que há ali qualquer coisa que nos faz querer voltar...o quê, não sabemos.

o que sabemos é que cruzamos toda a capital sem um destino nesse dia...
...até encontrarmos, ao fim de não sei quantos quilómetros de estrada, um paisagem brutal do lado esquerdo, com montanhas a rondar os 2000 metros dum lado e do outro colinas a rondar os 700 metros. pelo meio, uma estrada corria sem muito movimento e nós íamos gozando a paisagem até nos cansarmos e acamparmos por detrás de um arvoredo, com aquelas montanhas enormes como pano de fundo! que fim de dia! um ou outro pastor passava e olhava-nos de longe, mas sem nunca ninguém nos incomodar! sopa comida, xixi feito e cama...saco-cama! noite fria esta...acordámos com os pés gelados e pouco tínhamos para o pequeno-almoço, a não ser meia dúzia de biscoitos e um pão barrado com chocolate e...água!

mais à frente, teríamos direito a uns 4 cafés e mais biscoitos...para acordar bem! as pessoas simpáticas continuavam. além de connosco falarem, apesar de saberem que quase nada percebíamos, ofereciam-nos fruta e, mais importante que tudo, um enorme sorriso!
a estrada continuava agora até à pequena aldeia de ivan vasovo, onde dormiríamos nessa noite. pelo meio, almoçamos em karlovo, uma cidade plantada mesmo na base de uma imensa montanha, uns 3 ou 4 excelentes pratos típicos do país por uma dúzia de moedas! afastando-nos da cidade, a imagem era incrível, olhando para trás, pois à nossa frente a estrada subia, subia, subia e fazia-nos suar muito. que desespero...mais à frente, uma grande descida e frio a entrar por todos os poros da pele. a meio da grande estrada, no meio do nada, uma placa do lado direito, escrito em cirílico - claro está - anunciava: ivan vasovo! o que nos levava a parar nesta aldeia de 250 pessoas, era uma família que escolheu viver longe de quase tudo, consumindo apenas frutas e legumes da época, cultivando tudo nunca usando pesticidas, não comendo nada embalado e, claro está, sendo vegetarianos. a ideia era a de construirem uma espécia de aldeia utópica (mais uma...) onde a escola ensinasse às crianças o essencial e pudessem todos estar felizes, longe da sociedade e nunca precisar dela! perfeito nalgumas ideias, impossível noutras, muito mais se formos a ver que os dias passavam, as ideias estavam lá mas...e passar à acção? nada...apesar de tudo, foram muito simpáticos mesmo, tivemos excelentes debates de ideias e ideais e até nos levaram a uma nascente de água quente para tomar um banho espectacular a meio da noite, já que a água da aldeia havia faltado e não sabiam quando voltaria! na manhã seguinte, xau xau, muito obrigado, foto da praxe e até qualquer dia! beijos beijos! xau!

plovdiv estava ali a 40 quilómetros! paramos numa loja para beber cafés, comer bolos, biscoitos e pagar muito pouco, falar um pouco espanholês com um rapaz que apareceu do nada e trocou umas quantas palavras connosco, nos chamou de doidos por termos vindo de tão longe de bicicleta e seguimos viagem, sem nunca parar até chegarmos à entrada da cidade, onde procuramos a vanya, que nos apresentou um amigo, o dario, que nos levou a um café duns conhecidos para comer umas sandes vegetarianas e mais tarde um gelado e esteve quase todo o dia connosco! depois de termos subido até ao terceiro andar com a tralha toda, termos tomado banho e metido a conversa em dia, saímos para a cidade para nos apercebermos que iríamos gostar imenso dela! mais tarde, já no regresso, conhecemos o radi, namorado da vanya e com eles jantamos e passamos um excelente fim de noite, ouvindo música no meio da rua, que era tocada por uns quantos amigos, enquanto pessoas paravam para dançar, cantar, bater palmas, agradecer o facto de ali estarem ou, simplesmente, verem! a música era uma espécia de improvisação-jazz-folk-oriental-quelque-chose-plus e soava mesmo muito bem, ou não fossem quase todos eles estudantes de música! durante as 3 noites que lá ficámos - pensámos numa só, a princípio - os dias estavam preenchidos desde que acordávamos até adormecer, ora com visitas à cidade que, tal como prevíamos, gostamos mesmo muito; ora com horas e horas acomer em volta da mesa; ora falando disto e daquilo, ouvindo esta ou aquela música, discutindo este ou aquele assunto, apresentando este ou qualquer outro projecto futuro! gostamos! no sábado foi a noite dos museus e todas as galerias e museus da cidade estavam abertas até às 3h, enquanto pessoas tocavam nas ruas e performances aconteciam. a chuva veio estragar um pouco a coisa, mas nada de especial. de manhã acordamos com umas quantas pessoas a dormir ao nosso lado, umas delas que ninguém conhecia, nem sequer os donos da casa, mas que ficou duas noites por lá...coisas que acontecem! a mesma história: "não, não podemos ficar mais, temos mesmo que ir...blá blá blá..." - "ok, vocês é que sabem. se quiserem, nem precisam pedir. é só acampar em qualquer lado!" - "obrigado, a sério, mas..." e saímos, por debaixo de umas nuvens a ameaçar chuva, mas que nunca passou à acção!

has
kovo seria a próxima paragem e à nossa espera, a tery e o ivan...mas que casal! a tery apanhou-nos de bicicleta no centro da cidade, rapariga envergonhada escondida por trás do seu longo cabelo e levou-nos até casa da sua avó, que dividia com o namorado...quando não estavam em viagem! depois de uma introdução na sala e depois de um bom banho tomado, a conversa passou para a cozinha, onde preparamos umas espécie de sopa de lentilhas e afins e desenrolamos uma série imensa de aventuras por cima da mesa! a tery e o ivan viajam à boleia! de polegar no ar, aventuram-se por esse mundo fora de tal maneira, que o ivan já foi da bulgária até londres em 2 dias só para ir buscar a tery e voltarem em 2 dias à bulgária. mas mais, a tery acabou de fazer uma viajem de 10 meses pela ásia e oceânia, tendo apanhado o ivan - que na altura estava a trabalhar na nova zelândia - tendo acampado em todo o lado, comido do que lhe ofereciam, viajando sempre à boleia e inclusive, tendo ficado acampados na barreira de coral australiana durante 5 dias, sem pagarem nada...ilegalmente, portanto! lindo! as histórias, as nossas e as deles fluíam e incentivavam-nos a regressar à estrada! os olhos riam, os lábios riam, a cara ria, os braços riam! tudo se misturava em emoções e saímos de casa deles, depois de um pequeno-almoço excelente e de termos visitado a cidade, com uma vontade de nunca mais parar...

...o que não se viria a suceder, pois 30 quilómetros depois, estávamos em harmanli em casa da dobromira, onde ficámos durante duas noites! chegamos tarde, e a noite foi pacata na sua presença e da sua cadela pitbull, a cleo! dividimos a preparação do jantar e foi comer até cair para o lado! dormimos bem e às 7h já acordávamos para sair de casa às 8h e deixarmos as bicicletas num museu local, que visitámos, assim como para visitar a região com um amigo da dobromira e uma sua amiga que nos traduzia tudo! se a princípio pensávamos deixar a bulgária já naquele dia, depois de uma hora às voltas, demos por nós a entrar em contacto outra vez com a senhora da casa e a pedir para ficar mais uma noite! assim foi! a tarde, passamo-la a pastar no centro da cidade, entre um café, um acesso à internet e uma sesta bem tirada! acabamos a tomar café em casa da emilie, a tradutora e a jantar um delicioso assado de vegetais, acompanhado por um estilo de coca-cola com maçã (será possível? possível ou não, é...e é óptimo!). no dia seguinte a seguir ao café, despedimo-nos em direcção à turquia que nos receberia apenas um dia antes de completarmos os 6 meses de viagem!

1 comentário:

Hernani disse...

Viva
Cheguei ao vosso blog, por acaso, através deste link.
Primeiro que tudo, parabéns pela vossa viagem.....fantástica!
a Bulgária...pois, Primeiro odeia-se depois entranha-se.
Em JUN/JUL09 fiz o percurso Salzburg-Viena-Varna-Sófia em bicicleta e digo-vos que os países mais fascinantes, das suas gentes e cultura, foram a Sérvia e a Bulgária.
Entreia na Bulgária por Vidin, e devido a alguns problemas a nível musculares no braço direito conjugando com a falta de tempo, percorri o centro/norte da Bulgária de autocarro (Veliko Tarnovo, Varna, Sunny Coast, Sófia, e o Mosteiro de Rilla incrustado nessas montanhas de 2000m que descrevem). Sófia é paradigmática, o que tem que nos leva a querer voltar? Será o seu estilo coministo-decadente??
Continuação de boa viagem...divirtam-se
Hernâni Cardoso
http://hernanicardoso.com

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