valeu a pena o esforço

saímos de portugal com zurique na cabeça! e finalmente chegámos e é em zurique que escrevemos este post!
devem estar a perguntar: "mas afinal o que tem zurique de tão importante, de tão atraente para se sair de portugal com a cidade na cabeça?" a resposta é simples! é aqui que mora o casal que nos inspirou para viajar de bicicleta! temos algumas referências de viajantes, mas este são, sem dúvida, os maiores culpados! eles são, passamos a apresentar: o joão e a valérie!
antes de partirmos recebemos um mail de alguém que nos desejou força para a viagem e não queríamos acreditar, quando disse que conhecia o casal que escreveu o livro "pedalar devagar"! depressa entrámos em contacto com o casal amigo e depressa recebemos um mail, a dizer que éramos bem vindos!
para quem não sabem que são, aqui fica um pequeno vídeo!


claro que não podia ser um dia fácil, o dia do encontro. claro que o joão e a valérie não podiam ser de fácil acesso. há que sofrer! e foi mais ou menos isso que nos aconteceu.

saímos de sursee com poucas horas de sono no corpo e a ligeira dor de cabeça, fazia-me recordar a caipirinha da noite anterior... mas a vontade de chegar a zurique era grande!

a neve já não caía mas o caminho continuava branco e de novo o frio terrível! há muito que não tínhamos um dia com tantas subidas. subir traz calor, o que pode ser bom mas depois temos de descer e é nesse momento que os problemas começam! paramos numa oficina de motos e fomos convidados para beber um café. olhávamos para fora e tínhamos medo de voltar a sair. uma grande subida esperava por nós e não tivemos forças para a pedalar... chegamos ao cimo com as bicicletas à mão num grande esforço, embora tivéssemos chegado quentinhos para depressa gelarmos com a grande descida... que dia!

novo tombo do rafael... já estava no fim da descida, quando um carro pára ao meu lado:
- o teu companheiro teve um acidente lá em cima.
fiquei preocupada e penso que a minha expressão o confirmou, mas ele logo acrescentou:
- um pequeno acidente...
não sabia muito bem o que fazer... se subisse de bicicleta, ia demorar mais de meia hora. se deixasse a bicicleta, demorava a mesma meia hora a correr. enquanto pensava, o rafael aparecia. ufa, livrei-me de subir!.. que dia!


já passava das duas e ainda não tínhamos parado para almoçar. quem é que pára para almoçar ao frio? 
corremos desalmadamente para dentro de um edifício para sobrevivermos. as pessoas passavam por nós com indiferença... ainda ficávamos com mais frio sem o calor humano! 
finalmente fomos convidados para um chá e percebemos que estávamos num centro de agricultores e uma escola primária. aproveitamos para pedir se podíamos almoçar no interior e aquecer a comida enquanto esperávamos pela jornalista que tinham chamado para nos entrevistar. 
passado quase duas horas, voltamos ao caminho e depressa arrefecemos. não podíamos fazer nada, a não ser pedalar.

andamos perdidos. quilómetros a mais. um queria seguir a estrada, o outro queria a pista ciclável. um dizia que já estávamos perto da casa deles, outro dizia que era impossível, que ainda tínhamos muito caminho pela frente. havia uma ligeira tensão entre nós... 
o joão e a valérie não moravam ali... ainda tínhamos de descer até à cidade e subir (muito) para chegar! que descida desesperante! não podíamos ir depressa porque a estrada estava perigosa, mas queríamos ir depressa para chegar rápido ao quente! 
é horrível, desesperante, aflitivo, maléfico, o frio nos dedos! não queria acreditar que estava com tanto frio e que ainda tínhamos muito caminho pela frente... desejei depressa a famosa subida para casa deles! que dia!


passado mais de hora e meia, encontrámos a subida! mas que subida!!! quem me mandou a mim tê-la desejado? era monstruosa, aberrante, gigantesca, tenebrosa! o rafael só se ria mas eu não tinha vontade de me rir, nem um pouco!!! parava de dois em dois metros e ia soltando uns gritos!!! só queria fechar os olhos e quando os voltasse a abrir, estar em frente à porta deles! nem forças tinha para chorar. estava chateada demais para chorar! estava escuro, estávamos cansados...


se fosse outro casal que habitasse naquele "evereste", duvido que tivéssemos feito todo aquele esforço!!! chegámos ao topo! estávamos vivos! e estávamos com o dedo na campanhia do joão e da valérie!!!

2 comentários:

Cisfranco disse...

Por aqui a viagem é muito interessante. Boa mudança de ares agora a seguir.

Rodolfo Dégues disse...

Grande Rafa, dá para ver que apesar do frio a viagem está a ser bastante divertida e recompensadora.
Espero que continue a correr tudo bem. Grande abraço. Rodolfo

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