aventuras na terra dos faraós

finalmente chegámos ao egipto e ao calor que tanto desejávamos! finalmente encontrámos um país diferente. finalmente mexeu qualquer coisa dentro de nós!
cairo! ai cairo… mas que confusão! uma verdadeira selva no trânsito! assusta entrar de bicicleta! temos a sensação de não haver espaço para nós, a sensação que será o nosso último dia. ai, tantas sensações estranhas que o cairo nos dá. os passeios servem para montarem o mercado e colocarem todo o lixo, não dando espaço assim, para nos passearmos neles. se tentarmos fazê-lo, arriscamo-nos a chegar ao fim do dia com menos 10 quilos pois os passeios são ridiculamente altos. No entanto, há uma explicação para isso: para os carros não estacionarem neles! assim sendo, a estrada serve para todos viverem em harmonia: carros, pessoas, burros, lixo… este último está presente em cada passo que damos.


é impossível sair de casa com um destino na cabeça querendo ir até ele, caminhando. é impossível! primeiro, é obrigatório perdemo-nos por entre ruas e ruinhas. depois, pedimos ajuda para saber o caminho e todos têm uma opinião diferente. depois, começamos a ficar cansados, depois, muito cansados e, quando finalmente chegamos, não somos os únicos a chegar, o escuro chega também, não nos permitindo ver nada e depois o tal cansaço que veio sempre a aumentar, obriga-nos a voltar para a casa, dando-nos a sensação de não termos visto nada. Um conselho: se querem realmente ver uma coisa, por uma libra egípcia – +/- 13 cêntimos – apanhem o metro. Foi assim que conseguimos visitar a cidade dos mortos. é incrível! um cemitério enorme, onde as pessoas que guardavam as campas passaram a morar lá. Hoje em dia, várias famílias vivem nesse cemitério, mas se não soubermos, pensamos que são simples pequenas casa.

   
ai cairo sujo, cairo sujo! pode ser culpa nossa, pois queremo-nos perder, procurando as pequenas ruas e depois encontramos um caminho com lama, com mercado de um lado e do outro – legumes, moscas, carnes penduras com moscas, galinhas, coelhos a olharem para os irmãos, depenados e esfolados com moscas. peixes nos cestos, no chão, rodeados por gatos e moscas. welcome! o lixo está em todo o lado, o cheiro intenso persegue-nos. bom, é caminharmos com o estômago vazio e absorver toda a informação.
há muita informação, muito barulho, muita poluição, mas há muita coisa boa. vence o sumo natural de manga e o sumo de cana de açucar, vence o falafel e o koshary, as pizzas egípcias e os gelados. a comida mais saborosa é aquela que se vende na rua, os ovos no pão, preparado pelo senhor das mãos sujas e do sorriso enorme. em cada esquina há uma delícia e em cada esquina nos deliciamos. só vamos para casa quando o estômago implorar para não comermos mais! tudo é barato e queremos tudo e no quarto dia, fico de cama…


olhávamos para o mapa e queríamos procurar o caminho mais sossegado. não queríamos ver pessoas, não queríamos ver lixo, nem carros com as suas buzinas sufocantes. queríamos descansar e ficar sozinhos. queríamos descer até luxor mas depois de lermos o pior sobre o caminho até lá, confessamos que ficámos com medo e decidimos não arriscar. olhámos melhor para o mapa e encontrámos a rua que procurávamos, que desejávamos! 1400 kms de deserto com vários postos de policia que nos podiam ajudar com água, comida e dormida. deserto, silêncio, vazio, nada… estávamos contentes com a nossa escolha e contentes por ser uma decisão desafiante! 
passado uma semana, saímos do cairo. começámos o jogo das perguntas? “oasis road?” cada um fazia o seu gesto… apontavam para a esquerda, outros para a direita. seguíamos a rua e no final desta, alguém nos dizia que estávamos mal… demos voltas e voltas, somamos quilómetros e quilómetros quando finalmente, chegámos a uma rua cada vez com menos carros, cada vez com menos povoação. a emoção dentro de nós começou a crescer, a ansiedade, aquele bichinho nervoso. chegámos à oasis road! estávamos contentes! “a aventura começa aqui!”
areia na nossa esquerda, areia na nossa direita! o vento pelas costas! tudo estava perfeito! onde colocar a tenda? areia e mais areia… encontrámos uma estação petrolífera e decidimos parar para perguntar um bom sítio para dormirmos.
-para onde vão? - perguntou o único rapaz que falava inglês.
- para luxor! 

- não, não vão! estão doidos? vão matar-vos se montarem a tenda depois de 20 kms daqui! matam-vos para ficarem com as vossas bicicletas! Eu, que sou egípcio, não me atrevo a ir mais longe do que aqui e só estamos aqui para trabalhar e temos guardas que vigiam a zona para a nossa segurança.
- mas onde é que estamos? como pode ser perigoso?
mostrámos o mapa e ele apontou mesmo para onde não queríamos que apontasse. estávamos mal… não estávamos na estrada do deserto… estávamos exactamente na estrada perigosa. ficámos assustados e sem saber o que fazer. para ele, tudo era simples. o que tínhamos de fazer, era voltar para trás! simples… queríamos muito ir para o deserto. queríamos muito descer até luxor. estávamos chateados, com medo e desiludidos. todas as indicações estavam incorrectas! passámos lá a noite, deitamo-nos cedo mas a noite foi passada a enxotar ratos que subiam a tenda…

3 comentários:

Cisfranco disse...

A vossa viagem é incrível! Gosto do vosso relato. Só não tem 20 valores porque as maiúsculas meteram dispensa...
Tudo de bom para vcs e obrigado por esta viagem que também vou fazendo.

Iris disse...

O RELATO DESSA AVENTURA ESTA MARAVILHOSO!!! PARABENS!!!

Iris disse...

O RELATO ESTA MARAVILHOSO DESSA AVENTURA!!! PODEMOS NOS IMAGINAR COM VCS!!! RSRS


IRIS

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