últimos dias no sinai

tivemos um belo descanso em st. katherine! por menos de 6 euros a noite, ficámos no fox of the desert camp. a escolha não podia ter sido melhor! o preço é convidativo, (com um pequeno choradinho) os quartos são limpos, assim como as casas de banho. o problema, é que ficam fora do quarto e nem sempre há água quente. temos de escolher bem a hora do banho! à noite, juntamo-nos todos à volta da fogueira e assim se passa um bom bocado com as pessoas que lá trabalham e com os estrangeiros. no interior há um restaurante mas não fizemos lá uma única refeição. montámos a cozinha no quarto. não é que seja caro almoçar e jantar… ou melhor, para o egipto é caro mas para o estrangeiro não, ou melhor, 3 euros por refeição torna-se caro quando a comida não vem bem servida, ou vem fria, ou vem sem sabor, ou vem com pouca quantidade, ou as 3 coisas juntas. ouvimos várias queixas e até os que lá trabalham se queixam. “alugámos o restaurante mas era muito melhor quando éramos nós a cozinhar. agora, os turistas comem cá uma vez mas no dia seguinte não voltam”.
soube bem acordar com toda a tranquilidade daquele sítio! criámos pequenas rotinas: acordávamos cedo, pegávamos nas bicicletas ou íamos a pé até à povoação, que fica a 1 km. comprávamos pão que era atirado para um balcão, onde o apanhávamos ainda quente, e espalhávamos no chão, para arrefecer e não ficar colado. penso que seja para isso… limitávamo-nos a fazer o que as pessoas da terra faziam. comprávamos o resto do pequeno almoço e voltávamos para o fox camp onde nos sentávamos ao sol, com o nosso novo amigo alemão, para nos deliciarmos com as nossas sandes matinais!


ao fim da tarde e depois do jantar, íamos até à fogueira onde ouvíamos as piadas e adivinhas do ahmdi, um dos empregados mais importantes do fox camp. ele faz com que o sítio se torne ainda mais especial! sabe acolher as pessoas e sabe proporcionar óptimos serões. foi uma pessoa que gostámos muito e em que na despedida, o abraço foi mais sincero! outra cara que faz este sítio ser tão especial, é o faradje. um miúdo de 16 anos, apaixonado por uma miúda grega. pede-nos sempre ajuda para lhe enviar mensagens em inglês.


depois de 5 noites de descanso, partimos em direcção a nuweiba. há muito que não sentíamos dificuldades como naquele dia… o caminho era um sobe e desce constante e perdemos as esperanças de fazer 130 kms num dia. encontrámos um casal francês, com os seus 40's e muitos ou até 50 anos, a viajar de bicicleta. “saímos de frança há 5 meses e estamos na recta final da nossa pequena viagem. os filhos estão criados, por isso temos tempo!” compraram um terreno em frança onde vivem no interior de um camião, e construíram uma tenda mongol.
o rafael ficou inspirado por aquele casal. “vamos dormir esta noite no deserto!” mas que bela ideia que teve!

 
encontrámos o sítio perfeito, onde da estrada, ninguém nos podia ver. montámos a tenda e ficámos a olhar para ela… ora bem… do lado direito da tenda, tinha havido uma derrocada, do lado esquerdo, o mesmo… só faltava cair no meio, que era exactamente onde nos encontrávamos. “não deve cair esta noite…” olhámos um para o outro... silêncio… “ok, vamos mudar de sítio!”

a nossa primeira noite no deserto foi das melhores noites! ninguém veio meter conversa, tínhamos o silêncio só para nós! não encontrámos madeira suficiente para fazer uma bela fogueira mas enquanto durou, era bela!


acordámos e sabem quem estava lá para nos desejar um bom dia? ninguém! não estávamos com pressa de sair. arrumámos tudo nas calmas e preparávamo-nos mentalmente para a subida que deixámos no dia anterior, por estarmos demasiado cansados…
foi das poucas subidas daquele dia! depressa chegámos a nuweiba, com dores nas mãos de tanto descer e travar. avistámos de novo o mar vermelho e é sempre uma grande emoção quando vemos mar! o sorriso fica maior, há um aperto no peito e só temos vontade de gritar e dar pulinhos de alegria!
depois de vermos muitos hotéis à beira mar, escolhemos aquele que nos ofereceu por menos de 6 euros, um quarto com casa de banho, água quente, internet e tudo muito limpo!

 
os hotéis com pequenas cabanas estão espalhados por uma distância de 15 kms. mesmo havendo hotéis fechados, continuam a construir mais e mais e o que está fechado a cair de podre não é retirado o que torna tudo muito mais degradante.
éramos os únicos naquele! voltámos a transformar o quarto em cozinha e decoramos com roupa pendurada, a secar! mesmo estando sozinhos, o hotel mantém todos os empregados a trabalhar, à espera de clientes, ou na esperança que jantemos, ou à espera de algo que não percebemos o que poderia ser. sempre em frente da televisão, os empregados esperam e esperam. isso não acontecia apenas no nosso hotel, isto acontecia em todos que se mantinham abertos e alguns, sem uma única pessoa.
as praias têm um ar de falso tropical com toda a falta de cuidado que existe mas descansámos e passámos um bom bocado.


no dia 20 de janeiro, acordámos cedo para apanhar o barco que nos levaria para a jordânia. este último dia no egipto foi, sem dúvida, o pior dia! saímos do país com uma pequena raiva!

passamos a explicar:
fomos aos correios e eles queriam 50 euros para enviar três pequenas encomendas! primeiro, o facto de abrirem as encomendas, deixa-me fula! mas que falta de privacidade! respirei fundo e explodi, ou melhor, explodimos quando nos disse o preço que tínhamos de pagar! pegámos nas nossas coisas e virámos costas! um senhor lá fora disse que era assim porque estavam a enviar em correio rápido. ok, falta de comunicação. fomos dar uma nova oportunidade e dissemos que não queríamos em correio rápido mas sim em correio normal. ah e tal, afinal não era só por isso, tínhamos de pagar aquele valor porque estamos a enviar lenços fabricados no egipto, e temos de pagar taxas! lindo! voltámos a explodir! mas são doidos ou quê? já pagámos tudo e mais alguma coisa quando comprámos os lenços! claro que não vamos pagar aquele preço absurdo!  “são as leis do país!” resposta errada!!! dissemos tudo o que tivemos vontade de dizer! falamos mal deles e do país, que era por isso que o país não ia para a frente, que é só corrupção, que tentam  sempre enganar… blá blá blá… saímos chateados e mais chateados ficámos ao ver outro furo na bicicleta do rafael. não podíamos ficar ali a remendar o pneu… enchemos o pneu e fomos para outros correios.
estava com má cara e por duas vezes ordenei a um dos empregados para não sorrir enquanto olhava para mim! conseguimos enviar tudo pagando menos de 13 euros e, com esta história, perdemos mais de uma hora com tantas esperas, com tantas confusões!
o barco tinha como hora de partida o meio dia. eram 13h quando entrámos no barco. eram 17h quando o barco arrancou e chegámos às 22h à jordânia! respirámos fundo...“ já estamos noutro país!” 

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