pela capital

Chegámos a Damascos e gostámos do que vimos. Reencontramos o Nick, o chinês que conhecemos em Menton, em França, na nossa última viagem. No final da última subida e depois de muitos quilómetros, soube bem ver uma cara conhecida e abraça-lo.
Não somos muito de grandes cidades nem de capitais, mas ficámos rendidos a Damascos. É uma capital digna desse nome, sem perder a beleza e a elegância da grande história que tem e é cheia de “coisas e loisas” para fazer!
Ao caminhar para o centro, vimos uma multidão de braços no ar, com fotografias do presidente! Gritavam uma lengalenga que, traduzido, dá qualquer coisa como: “primeiro Deus, depois a Síria e depois o nosso presidente!”. Percebemos que era o presidente que estava dentro dum carro, com a sua grande comitiva, que deixava a multidão enlouquecida! As pessoas atropelavam-se e a segurança era obrigada a formar uma barreira humana para manter a população calma. Ao poucos deixavam passar algumas pessoas, aos poucos, para não se atropelarem e não bloquearem todas as entradas do souk. Foi arrepiante ver todas aquelas pessoas a gritarem pelo seu presidente! Seriamos capazes, nós portugueses, de sair à rua gritando: “Cavaco, Cavaco, Cavaco!”, em puro delírio e com fotografias emolduradas às costas? Seria lindo! 
Conseguimos passar no meio da multidão e encontrar uma rua livre. Passeamo-nos pelo souk ao ritmo dos welcome. Provámos o gelado de baunilha coberto de frutos secos. Reclamámos quando nos pediram 50 libras por um fallafel e decidimos comer onde estavam a vender por 25! Entrámos na Mesquita Umayyad e ficámos admirados com a vida dentro dela! Há crianças que brincam por todo o lado, que jogam à bola, o delírio nas “bancadas”! Há famílias que tiram a merenda para fora e partilham a comida enquanto outros, fechados em si, rezam a Deus. Não encontrámos o silêncio que encontramos nas nossas igrejas, encontrámos vida e uma diferente entrega à religião.

 

Outra mesquita a não perder, é a Mesquita Sayyida Ruqayya, onde está o túmulo de uma menina de 4 anos de idade, filha de um mártir. As mulheres rezam de um lado do túmulo e os homens do outro. As mulheres choram agarradas às grades porque, conta a história que a santa ali sepultada, está constantemente a chorar. Os homens martirizam-se mas não choram. De ambos os lados, há bonecas e rebuçados que são atirados para cima do túmulo. 

 

A experiência de entrar naquela mesquita, é única. A fé das pessoas é uma coisa que arrepia. Quando digo que as mulheres choram, elas choram mesmo. Elas tocam no túmulo com paixão, com respeito, numa entrega total. Ficam durante alguns minutos com as mãos nas grades e beijam-na.
Quando saímos da mesquita, quisemos logo contar a nossa experiência um ao outro. Queríamos contar o que vimos e queríamos saber o que acontecia do outro lado. Confesso que fiquei bastante comovida com o que vi.
Damascus é uma capital muito dinâmica. Os nossos dias estavam preenchidos e pensamos que é talvez o melhor lugar para se tirar um curso de árabe! 
Entrámos no centro cultural francês e quando saímos, tínhamos a nossa agenda pensada de acordo com a programação existente.
Passeamo-nos pelo bairro cristão e até assistimos a uma missa. Entrámos num café nada turístico. Quando gostamos de um sítio, voltamos e foi o que aconteceu. Voltámos no dia seguinte para pedir dois cafés, dois chás e shisha e se ficássemos mais um dia, teríamos dito “o costume!”


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