Isto é que é vida

Bangkok! Finalmente na Tailândia! Tínhamos aterrado, mas ainda não tínhamos chegado. Quero dizer, estávamos em Bangkok mais ainda tínhamos de percorrer 40 quilómetros para estarmos meeeesmo em Bangkok.

Quando terminamos de montar as bicicletas, quando elas estavam prontas para partir, o sol abandonou-nos. Perguntávamos às pessoas o caminho para o centro da capital e todas diziam:

- De bicicleta, é impossível!

Como “é impossível”? Não tínhamos mapa, não tínhamos luzes e começávamo-nos a irritar um ao outro, mas que foi possível chegar, foi!

Os carros passavam sem buzinar… Os carros paravam à nossa passagem… “ai, vai buzinar… não buzinou”. Um sorriso, outro sorriso… Os carros paravam ao no sinal vermelho. Ninguém tinha o olhar colado em nós… Os carros esperavam pelo sinal verde… Os carros continuavam sem buzinar… E quando o sinal verde aparecia os carros… NÃO BUZINAVAM! 

Três vivas – viva, viva, viva!


Tudo era diferente e estávamos a gostar MUITO! Não foi fácil chegar à Embaixada Portuguesa, onde nos foi dada autorização para estacionarmos as nossas meninas, para pudermos ir de férias. Estivemos muitas vezes perdidos, muitas vezes pensávamos que poderíamos estar perto da Embaixada mas depressa vinha um sorriso que destruía essa nossa possibilidade. Os tailandeses devem nascer às gargalhadas e não a chorar! Sabe tão bem pedalar por entre sorrisos sinceros e conseguir chegar aos sítios graças às ajudas que eles têm o prazer em oferecer. Estamos a adorar!!!

Mortos, cansados, estoirados, rastejando com a língua ao dependuro, chegávamos! O segurança não estava a perceber que o senhor Embaixador estava informado da nossa chegada e que nos foi dada a autorização para batermos à porta. É certo que 23h30 não são horas para se bater à porta mas… Foi-nos impossível chegar mais cedo. Conseguimos ter acesso ao motorista que nos abriu o portão, nos indicou um lugar seguro para as nossas meninas e nos ofereceu um cacho de bananas! De mini bananas… Como explicar… As nossas bananas da Madeira parecem monstruosas, gigantes, imponentes ao lado destas. 
Não estou a exagerar, eu nunca exagero!

Mochila às costas e fomos à procura de um hotel. Estávamos chocados! Não estávamos habituados a ambientes de festas, nem a mini saias minis, nem mini calções minis, mas “botem” minis nisto que estou a escrever! Em muitas, esse vestuário mini é a farda do trabalho e em muitos casos, este vestuário feminino é usado pela quantidade imensa de transexuais que existem em Bangkok, além das estrangeiras em busca de…alegria! Não estávamos habituados à música alta nos bares, nem sequer habituados a bares, nem a ver tanto turista junto, com muitas parecenças com aos turistas da Quarteira. Estávamos rodeados de muitas informação, muita festa e não conseguíamos, nem queríamos entrar nessa onda de “e bota abaixo”. Fugimos para o quarto!

- Não estou preparada para isto… Estou em choque! Choque não foi chegar ao Cairo, depois da Alemanha! – Dizia eu.

Novo dia: saímos à rua para ver como era Bangkok durante o dia. “Tailândia é cara!”. Atenção: não podem esquecer que estivemos na Índia! Comer por 1,50 ou dois, é muito caro! Andámos há 4 meses a comer por 50 cêntimos, 1 euro… Só nos ríamos quando nos apercebíamos do ridículo que estávamos a dizer. 

Durante o dia, a capital é bem diferente, bem mais sossegada, mas não conseguimos tirar-lhe bem as medidas pois andámos a tratar das nossas férias. Voltámos à Embaixada para preparar com mais calma a nossa mochilinha, fomos à net para tentar perceber onde poderiam estar os nossos amigos, com quem nos iríamos encontrar, e fomos à estação de comboios para comprar o bilhete para essa mesma noite. Foi por causa dessa nossa pressa, que nada vimos de Bangkok… Mas deu para perceber que adorámos a comida e adorámos experimentar a bebida que fazem com Ovomaltine! Podem tirar nota:

- Muitas colheres de sopa de Ovomaltine.
- Muitas colheres de sopa de leite condensado.
- Uma grande colher de sopa de açúcar.
- Água.
- Gelo triturado num grande copo.

Num copo, juntem os ingredientes das colheres de sopa. Juntem a água quente, para bem dissolver os ingredientes que só por acaso, são bem doces. Depois de tudo muito bem misturado, despejem a bomba calórica para dentro do grande copo cheio de gelo.
Não bebam com gula, pois desaparece depressa. Deixem o gelo derreter para poderem saborear cada gota que desaparece bem rapidamente da boca e permanece bem teimosamente no rabo ou na barriga, ou nas coxas...

Bom apetite!


Nessa noite, apanhámos o comboio. Mas que luxo! Os lugares eram espaçosos e o garçon vinha fazer-nos a cama, ao nosso sinal. Lençol, almofada, cobertor, cortina… E o garçon fazia de despertador! “Não há baratas por aqui? Não estou habituada a viajar sem baratas nos comboios!”

Estávamos a caminho de Ko Jum, uma ilha no sul, onde tínhamos combinado encontrarmo-nos com dois casais! Um casal inglês e um português. O inglês, são os nossos amigos Sam e Frank (www.odycycle.com), com quem pedalámos em 4 países diferentes e que estávamos ansiosos por reencontrar e o casal português é a família do Diário da Pikitim. O Filipe e a Luísa começaram no dia 6 de Janeiro deste ano, a sua volta ao mundo com a filha – Pikitim – de 4 anos! (www.pikitim.com)


Depois do comboio, apanhámos um autocarro, onde nos foi dado um autocolante para colarmos na camisola. Depois tivemos outro autocolante e mandaram-nos esperar por outro transporte. Apareceu uma carrinha que nos levou até ao porto onde recebemos outro autocolante. Entrámos no barco e passado uma hora, o barco parou e pequenos barquinhos apareceram. Foram estes barquinhos que nos deixaram na ilha.




Finalmente férias, silêncio, água do mar, bungalows, boa comida, sorrisos…

- Onde é que o Sam e a Frank estão?

Eles já tinham chegado no dia anterior mas não sabemos quais seriam os bungalows que tinham escolhido e não tiveram forma do entrar em contacto connosco… Fomos em busca do casal inglês de hotel em hotel. Parecíamos duas crianças ansiosas pelo reencontro.

Adoramos reencontros, adoramos estar com pessoas que gostamos! Ah, foi tão bom! Depois do abraço, fomos ver o ninho deles, que era bem mais barato que o nosso mas depois de termos visto o nosso, de termos arrumado tudo como se da nossa casinha se tratasse, fomos incapazes de mudar!

- Estamos de férias! Se nos sentimos melhor onde estamos, para quê trocar? – Perguntava o 
Rafael.

Não trocámos mas fizemos o nosso choradinho que só terminou quando ela reduziu o preço! Claro que temos de fazer estes choradinhos! Estamos numa viagem que tem como duração quase 2 anos!

No dia seguinte, encontrámos os pais da Pikitim e depressa nos juntámos à menina mais famosa de Portugal, para dentro da água!


Foram umas belas férias! 6 dias com longas caminhadas, boa comida, descanso, mergulhos… Sentíamos saudades das nossas meninas mas queríamos aproveitar ao máxima esse pequeno paraíso que nunca pensei vir a pisar…

Pikitim, não podes estar mais certa: isto é que é vida!

1 comentário:

Pipa disse...

O que é bom passa rápido! Isso é que é mesmo boa vida e vida boa :)

Beijocas,
Pipaaa

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