Novo odor Chinês

Já nos encontramos em Portugal mas para quem segue o blog, ainda estamos na China… Não é fácil regressar e dedicar um tempinho para terminar o que ficou pendente. Regressar nunca é fácil - é bom, foi desejado mas há um certo vazio que nos é dificil explicar... Temos que perceber onde estamos e o que estamos cá a fazer. Não foi fácil organizar as ideias mas estamos de volta ao blog para vos contar como correram as nossas duas últimas semanas na China, sempre com a cabeça no regresso para não querer deixar o portátil para trás e voltar a pegar na bicicleta...

Já tínhamos tido um cheirinho da China mas desta vez, foi bem diferente. Estávamos na costa Este e traçámos o nosso caminho sempre ao longo desta. Festejámos o meu aniversário com um casal brasileiro que já se encontra no país dos olhos em bico há 2 anos. A festa teve lugar em Beihai, numa praia onde podemos encontrar imitações de estátuas do renascimento... Lindo de se ver! Homens musculados, homens montados a cavalo, mulheres com a gordura formosa da época e até leões de boca aberta. Não há manutenção e tudo está ao abondano. Será que querem transformar essas estátuas em ruínas, assim tão rapidamente?

Os chineses não fazem praia como nós... O sol pode estar lindo, quente, a convidar para estender a toalha e torrar, ora de papo para o ar, ora de rabo para o ar, que eles e elas não gostam de se sentir como pão na torradeira... Esperam pelas 18 ou19 horas para o mergulho e para exibirem os bikinis com folhos, com sainhas, que tapam metade do corpo e mesmo assim, vão a correr para a água com risinhos envergonhados... Até chegar a hora do banho, eles brincam à sombra! Temos o jogo do saco, temos corridas, risos, churrasco e cerveja! Nós - a mesa dos estrangeiros - queriamos sol e um joginho de voleibol, mesmo com as cabeças por baixo do sol quente que nos levou ao mergulho!


Foi na praia que festejei os meus 30 aninhos, com uma bela voz masculina acompanhada pela guitarra. Despedi-me dos vintes e pedi um desejo para os trintas.

Foi bom entrar nos trintas e ter uma surpresa. Entrámos num elevador e este parou no andar das massagens... Estranho... Parece que havia uma marcação em meu nome. Parece que ia receber umas massagens! Parece que faço anos e o Rafael queria que me sentisse relaxada para não sentir o peso da idade!

Os meus queixos cairam quando olhava à minha volta. Tudo era calmo, relaxante, com uns tons castanhos e beges... Tive uma pequena pulseira e fui para a minha sala. Ora bem... "minha sala"?! Nossa sala!!! Parecia um hospital! Tudo branco, com mais de 50 camas alinhadas. Entregam-te um chá que parei de beber ao primeiro trago porque fiquei com dúvidas se aquilo era chá ou o oléo para as massagens... Mandaram-me deitar e a senhora começou a massajar-me... Com roupa e tudo, sem óleo nem cremes mas com duas grandes televisões a passarem um filme de acção com muitos tiros! Tirando todo aquele ambiente, as massagens foram óptimas!!! 


De volta às nossas meninas e de volta à estrada! Mas onde está a China que imaginamos? Estamos mesmo na China? Só me acreditei pela dura comunicação que tivemos com aquele povo. Mas é assim tão difícil perceber o que queremos? O mais dífícil, é mesmo conseguir comer. Entrámos nas cozinhas, apontávamos para tudo, diziamos "sim – não" mexíamos em tudo, faziamos sons, e eles sorriam, envergonhados ou nervosos não sei, só sei que muitas vezes desistíamos, gritávamos, atirávamos sandálias para o ar com umas quantas pedrinhas de gravilha e quando a fome era muita, dava vontade de partir o restaurante! Claro que não chegámos a esse ponto, mas na nossa cabeça, deixámos uns quantos restaurantes a arder!



Passámos por cidades feias, sem história, sem China... Tudo quer crescer rapidamente, todos querem ter mais fábricas. Conhecemos pessoas simpáticas e pessoas com trombas de todo o tamanho. Um rapaz salvou-nos das estradas chinesas, oferecendo-nos um mapa. Nunca chegaríamos a Macau na data marcada sem a ajuda daquele mapa! Estudámos as pequenas estradas e escolhemos a mais directa. Não tínhamos muito tempo, não podíamos descansar, pois não tínhamos tempo para isso. Tempo tempo tempo... Não tínhamos tempo... Ponto final.
Tínhamos uma pequena estrada ao longo da costas mas - há sempre um mas - tínhamos que passar por dois grandes rios, onde essa pequena estrada não passava. Éramos obrigados a contorná-lo, fazendo mais 40 num e 60 quilómetros noutro. Não tínhamos tempo para isso nem queríamos fazer esse desvio! Pelas pontes eram só 8 quilómetros, à volta, mais de 100. Tínhamos que conseguir arranjar boleia , apenas para atravessa-las. Conseguimos e ficámos todos contente com isso! A primeira carrinha foi um pouco assustadora. O nosso condutor abriu a bagageira e deparamos com um caixote com muitas cobras, magras e compridas, cobertas de sange pelas tentativas de fuga. Pareceu-nos um pouco perigoso e estranho, mas precisávamos daquela boleia. Correu bem. Nenhuma cobra fugiu e nos atacou. Ganhámos duas boleias preciosas para atravessar as pontes, que nos permitiram chegar no dia combinado a Macau! Que emoção chegar! 

Agora vamos ali trabalhar mais um pouco e voltamos brevemente para contar a nossa chegada!!!

1 comentário:

Pipa disse...

Fico à espera :)

Beijinhos,
Pipaaa

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