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como nasceu a ideia? depois de 9 meses a viajar: 1 mês na croácia, 2 meses na noruega e suécia e 6 meses na índia, levantou-se uma questão: só isto? então decidi começar a poupar dinheiro logo que começasse a trabalhar para voltar à "estrada" um dia mais tarde. logo que o emprego apareceu, o dinheiro era colocado de parte e gastava só o essencial. depois conheci a tanya e, juntos, quando os trabalhos o permitiam, o dinheiro ia sendo amealhado. 3 anos depois, a ideia de fazer uma longa viagem surgiu e 1 ano mais tarde, começava!

porquê a bicicleta? a escolha da bicicleta veio à cabeça 1 ano antes, quando a ideia surgiu e logo foi abandonada, porque nunca antes havíamos entrado numa aventura destas, não tínhamos preparação física, não percebíamos nada de bicicletas e mais umas quantas questões que nos fizeram abandonar logo esta possibilidade. no entanto, viajar desta maneira não nos saia da cabeça. um dia, recebemos um casal francês em casa, que viajava de bicicleta e, depois de centenas de perguntas, percebemos que sim, era possível! além do mais, vai de encontra ao nosso estilo de vida: é ecológico! viaja-se lentamente! consegue ir a sítios que um automóvel não consegue! temos tempo para pensar! relaxar! é divertido! conhece-se muito mais do que se viajarmos de carro ou avião! estamos em constante contacto com as pessoas! torna-nos mais humanos!

porquê a europa? é a zona que menos interessa, é verdade, além de que está aqui mesmo ao lado, mas foi entendido como um treino! longo, tudo bem, mas um treino! porém, tem coisas lindíssimas, uma cultura riquíssima e países pequenos, que podemos passar em apenas 3 ou 4 dias ou ficar por tempo indeterminado! está aqui tão ao lado, que às vezes nos esquecemos de viajar nela! contudo, a falta de experiência, também foi determinante. na europa tudo é de fácil acesso: alimentos, água, oficinas, internet, alojamento, etc. e a ideia era experimentar! foi bom!

é preciso ter muito dinheiro para viajar... é uma ideia completamente errada. é a ideia que têm as pessoas que passam férias de uma ou duas semanas em destinos tudo incluído e não saem do resort. viajar pode tornar-se mesmo barato, muito mais do que ficar em casa, sem dúvida! quando se viaja de bicicleta, não se paga água, luz, gás, seguros, rendas, gasolina e outras quantas contas que nos enchem os dias. depende da vida que cada um faz, mas se utilizarmos sempre a casa das pessoas ou a tenda, cozinharmos em casa ou no fogão que se transporta, comprarmos coisas nos supermercados, não bebermos ou fumarmos, a conta fica mesmo reduzida! pode gastar-se mesmo muito pouco e chegar-se longe! há as tentações, claro, aquele dia em que nos sentamos numa esplanada a beber o nosso café, mas são excepções à regra! e depois, se pensarmos que quanto mais gastarmos, menos viajamos, é muito mais fácil poupar!

como fazer para dormir? levar uma tenda dá sempre imenso jeito! no entanto, o sistema de couchsurfing, hospitalityclub ou warmshowers, funciona mesmo muito bem e é fácil arranjar alojamento na maior parte dos sítios, além de que se fica com pessoas da terra, que nos mostram o melhor que existe, os espaços alternativos e, claro está, a cultura! porém, há muitos dias em que se acaba por ficar em casa de pessoas que se encontra na rua e nos convidam para suas casas! estas, sem dúvida, são as melhores noites!

o que se leva na "mala"? quanto mais levamos, mais peso carregamos e este é dos piores inimigos para quem começa uma viagem deste tipo. levar o mínimo é o melhor. se se precisar de alguma coisa durante o caminho, compra-se, porque também não nos podemos esquecer que temos de carregar com toda a comida que nunca está pensada quando se faz uma..."mala"! (em breve será colocada a lista das coisas que fizeram parte desta viagem)

não é perigoso? há uma frase que dizemos sempre que nos perguntam isto: desliguem a televisão e o mundo passa a ser muito mais seguro! as pessoas vivem com medos inexistentes. com medos feitos, sem nunca terem verdadeiramente experimentado ir, estar, sentir. será que deixamos de sair de casa porque há acidentes todos os dias na estrada e todos os dias morre gente nesses acidentes? não. toda a gente, em todo o mundo, quer o mesmo: paz e ser feliz! todos são curiosos acerca de todos e a ideia de que os outros são maus, terroristas, ladrões é dada por pessoas que não viajam. gostamos sempre de referir um país, o irão, que tem uma fama péssima em todo o mundo e que, lendo sites e blogs de pessoas que viajam de bicicleta dizem sempre ser o país que mais dificuldade têm de sair. e porquê? porque as pessoas são tão boas e hospitaleiras, que é difícil dair dali!

como comunicar? com os idiomas que sabemos: português, inglês, francês, castelhano e um pouco de italiano e depois, com gestos, desenhos, movimentos e trocas de olhares! a linguagem não tem de ser falada, tem de ser...comunicada!

ficaram doentes? sim, quando entrámos em portugal, quase 9 meses depois, ficámos constipados! dá vontade de rir, mas é verdade! mas se num qualquer outro país tivesse acontecido qualquer coisa, íamos a um médico, como fazemos em portugal! simples!

foram assaltados? não! podia ter acontecido um qualquer azar, mas se formos a pensar nisso, ele vai acontecer de certeza. se não nos preocuparmos, nada acontece!

que país gostaram mais? a macedónia! pelas suas pessoas, pela abertura, pela simpatia, por nos terem aberto a porta de suas casas tantas vezes, nos terem dado de comer, nos terem enchido de amizade!

qual o que menos gostaram? provavelmente a itália. não pela sua riqueza, que é imensa, nem pelas pessoas que nos receberam em suas casas, que foram espantosas, mas pela sua população em geral. demasiado "narizes empinados" para o nosso gosto e antipáticos.

que cidades gostaram mais? burgos, bordéus, antuérpia, gent, goslar, wroclaw, xhanti, entre outras!

como foi estar longe da família? hoje em dia não conseguimos estar longe de ninguém. a internet e os telemóveis ajudam-nos a estar sempre perto. além disso, mesmo que na china, chega-se a portugal em 12 horas...perto!

custou muito pedalar tantos quilómetros? por incrível que pareça, não custou nada! houve dias menos bons, claro, aqueles que tínhamos de subir altas montanhas, apanhar chuva todo o dia, levar com vento fortíssimo, gelar as mãos e a ponta do nariz mas tudo faz parte do espírito da viagem e, mais tarde, são as situações que mais nos fazem rir!

as bicicletas eram especiais? existem bicicletas preparadas para este tipo de viagem, as chamadas touring bikes, porém n´so levámos as que tínhamos, umas simples btt de 300 euros, alterando muito pouco mesmo. levantámos mais o guiador, mudámos o selim, colocámos um suporte para levar carga atrás. mais nada! quando se quer, vai-se longe com o que se tem!

como carregavam as coisas? utilizámos um atrelado da marca polaca extrawhell e serviu na perfeição! pesa 5kg, só tem uma roda do tamanho das nossas da btt e leva dois sacos de 60 litros. num pequeno cesto que ia por cima da roda traseira, transportávamos alimentação e outras coisas às quais tivéssemos de ter fácil acesso. há pessoas que utilizam alforges, mas nós optámos por este modelo. se é melhor ou pior, não podemos dizer, porque nunca experimentámos o outro!

como foi com a alimentação? somos vegetarianos e por isso esta questão podia levantar-nos alguns problemas, mas não! em todos os países encontramos coisas para nos alimentarmos e em muitos deles, como a polónia ou a bulgária, há muitos pratos tradicionais que são vegetarianos! no entanto, como podíamos cozinhar as nossas próprias refeições, isto nunca foi um problema. e outra coisa, legumes e fruta existe em todo o lado!

um dia mau... o segundo dia de viagem, entre arouca e campo benfeito. uma etapa que tínhamos previsto ser muito mais curta, pedalámos 70kms, durante 10 horas, perdemo-nos na montanha, levámos com vento, muito frio, chuva, granizo e não conseguimos chegar ao nosso destino. deixámos as bicicletas nos bombeiros e vieram buscar-nos. no dia seguinte estava a nevar!

um dia bom... passar duas montanhas de quase 1000 metros na croácia e, depois de um pequeno túnel, ter todo o mar adriático à nossa frente! saltamos de alegria, rimos, chorámos, gritámos! lindo!

o que mudariam? o continente! pedalar na europa trona-se fácil! ficaríamos mais tempo em alguns locais que gostámos muito. teríamos discutido menos vezes!

como foi passar 24 horas por dia juntos? é uma coisa que se tem de aprender a fazer, assim como este tipo de aventura! não foi tão complicado como parece. tudo depende de nos adaptarmos e conversar sobre as coisas, trocar opiniões, dúvidas, levantar questões. a tanya é mais relaxada a viajar e nas horas mais stressantes, consegue manter mais a calma. invejo-a! 

qual a próxima aventura? EURÁSIA, já em setembro de 2010! portugal – macau de bicicleta!

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